Invocação do Adamastor Milfontense

Imagem do Adamastor

É fácil dizer que está tudo bem. É fácil nos consolarmos ou deixarmos alguém consolar o nosso consolar. Inócuo é criticar, interiorizar é que custa. O alentejano pode parecer lento a raciocinar mas não é, apenas, toma o seu tempo a se mover com razão, inteligência e certeza. Tudo o que é mais prazeroso na vida leva o seu tempo e não se obtém de um dia para o outro. Vivemos num estranho e raro fenómeno que denominaria de “Conformismo da balbúrdia perene”.

A meu ver, e ao ver todos nós, não passamos por tempos fáceis. Não, não irei dar aquela delonga da difícil conjuntura económica, política e social e por aí adiante. Postas de pescada. Toda a gente as atira para o ar. Quantas dessas postas se cozem? Bom depende de quem se toca com essas ditas postas. Pode parecer muito sui generis começar um texto com postas, ou sequer, as mencionar. Mas a verdade é que falta, além da união, espírito lutador a estes Milfontenses.

Por outras palavras vamos nos prender no mais que tudo aspecto social da vila. Mudam-se os anos, mas não se mudam os hábitos. Continua a haver cunhas em tudo o que é sítio. Continua-se a esquecer básicos aspectos sociais da população tais como apoio acesso à cultura nas suas diferentes formas, apoio monetário a crianças necessitadas, esquecimento das necessidades dos transeuntes que transmite a uma má imagem para o exterior de Milfontes. Caímos no esquecimento dos valores e da importância dos mesmos.

Depois de um verão até algo movimentado, mais bem ou mal, em que tivemos uma Junta de Freguesia a fazer retoques de “última hora” mas apenas a sítios que tivessem mais visíveis aos nossos turistas, habituais ou não, chamo a atenção para a população se já repararam por exemplo no estado caóticos dos passeios, principalmente na Rua Custódio Brás Pacheco, onde se torna uma missão dura levar um carrinho de bebé a passear, e atenção, não só por esta rua…

Existe falta de união, mas já agora uma ressalva, queria congratular os jovens que mexerem os cordelinhos e tornaram possível a formação do Inatel, mais precisamente o G.D.C.P. Milfontes, que já vinha há muito fazendo falta à vila. Com isto finalmente, alguns, irão conseguir usar o Campo Foz do Mira graciosamente e não ter que pagar 3,5 € / jogador cada vez que se juntavam para praticar futebol. Sim cada vez que se “alugava” o campo cada jogador tinha que pagar 3,5 €, antes 5 €, para fazer uso de um espaço público que hoje existe graças a dinheiros camarários. De relembrar que o campo é da população Milfontense e é para ser usado em sua função e não de uma só família, ou duas ou três…

Com isto quero apenas reforçar que a união de facto faz a força e quando as pessoas se juntam “coisas” acontecem, agora pergunto eu, para quando Milfontes em peso a se unir e elevar a vila a um patamar acima onde realmente deveria estar? Assim como Adamastor defendeu o seu território contra tudo e todos aproveito para Invocar o Adamastor que existe dentro de cada um nós, Milfontenses, e assim lutarmos e batermos o pé contra o conformismo verificado nos últimos anos. Há que dizer que não! Há que criticar! Há que se fazer ouvir! A Vila depende de nós, nós e gerações vindouras dependemos do futuro da mesma!

Marco Matos

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