Artigo de Opinião: Ser Milfontense

Foz do Mira

Durante anos, foi notório algum desfasamento entre as pessoas de Milfontes e a localidade. Aparentemente, não existia interesse em discutir o presente e o futuro da localidade, não havia vontade de criar ou de fazer acontecer. Vivia-se em Vila Nova de Milfontes, mas não se vivia Vila Nova de Milfontes.

Felizmente, isto está a mudar e esta mudança é transversal a todos os sectores da sociedade milfontense. Numa altura de profunda crise, há quem não hesite em inovar, apostando em novos segmentos de negócio. Reflexo disso, é o surgimento de novos espaços de turismo rural e de hostels na localidade. Hostels de espírito jovem e descontraído, completamente enquadrados com aquilo que é hoje Milfontes e espaços de turismo rural que mostram toda a beleza da região.

Numa localidade em que a cultura sempre foi escassa, em que os eventos nunca abundaram, assistimos ao surgimento de vários projectos musicais. Bandas que não são apenas formadas por milfontenses, mas que também têm mostrado uma enorme vontade de mostrar o seu trabalho na sua própria localidade: Dirth 2 Death, 21st Century, Ipod Jah Soundsystem e Sentola.

Também a nível desportivo, as duas entidades desportivas mais representativas da vila vivem dias positivos. O Clube Desportivo Praia de Milfontes conseguiu agregar o seu antigo público, viu nascer a claque “Ultras Milfontes” e é um nome cada vez mais respeitado no futebol alentejano. Também o Clube Náutico “Milfontes” tem cimentado o seu trabalho, algo que se reflecte nos resultados dos seus atletas, e sobretudo na grande união demonstrada pelos seus atletas e dirigentes.

Esta renovação do “ser milfontense” fica também patente na cada vez maior adesão da população às causas cívicas. Sem esta consciência, projectos como Lar de Idosos de Vila Nova de Milfontes, ou o surgimento dos Bombeiros Voluntários de Milfontes não teriam sido possíveis.

Apesar do desemprego, da falta de capacidade para fixar a população mais jovem e de todos os outros problemas, ainda existe esperança para Milfontes. Esperança de, que quem partiu queira e possa um dia voltar (aqui também me incluo), que Milfontes encontre um caminho sustentável, que erros do passado sejam relembrados e não repetidos.

Esperança, não num sentimento de bairrismo oco e insipiente, mas sim na vontade de mudar o que é nosso!

Face à necessidade de exprimir uma opinião pessoal, algo não é factual, resolvi despir a roupagem “vnmilfontes.info” e escrever este artigo a título pessoal, algo que irá voltar a acontecer sempre que justificável.

André Alface