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Estagnação, comércio na corda bamba

Peculiar sentido do saber que numa vila tão pequena em dimensões territoriais mas tão grande em beleza, simbolismo, riqueza e significado que existe tamanha diversidade entre pessoas. O que de qualquer ponto de vista devia ser óptimo, pois diversidade é algo enriquecedor. Comerciantes. Prendo-me com algum cepticismo a actuação dos comerciantes de Vila Nova de Milfontes. Penso que o egocentrismo e ganância têm se sobreposto a todos os valores edificantes com passar dos tempos. Ainda se continua a verificar o pensamento erudito e velhaco de “Aquele não pode ganhar mais que eu” e “Se eu não ganho o outro também não pode ganhar”. É evidente entre as gentes da vila que o negócio local sofre de três problemas graves: desunião, monopólios familiares e falta de um padrão evolução consistente e generalizado primando pela diversidade. Desta vez a diversidade sendo usada numa boa perspectiva.

Desunião. Naturalmente já ouviram falar pela vila numa associação de comerciantes que, supostamente, tem como objectivo reunir os comerciantes afim de promover e dialogar assuntos inerentes ao comércio local. Mas na verdade o que se sabe desta associação de comerciantes? Onde são as reuniões? É aberto a sugestões do povo? Que no fundo é este o povo que faz com que os negócios continuem a sobreviver. Era necessário para benefício das duas partes, consumidor e comerciante, saberem quais os defeitos e o que procuram ambas as partes, o que se quer consumir e o que se tem para oferecer. Para evitar que as pessoas gastem dinheiro noutros sítios que não no negócio local. Que consequentemente faz com que o comércio local não evolua. Monopólio de famílias. Repare-se que num olhar bastante geral é facílimo entender as parcerias comerciais na vila, levando a que quatro, cinco famílias detenham os principais negócios. Como será óbvio não vou referenciar nomes a fim de não ferir susceptibilidades e, lá está, não ofender a propriedade moral dos comerciantes envolvidos no que penso e escrevo. Falta de um padrão de consistente de evolução. Consiste na falta de produto próprio como caracterização única e directa do negócio. Por exemplo a pastelaria Mabi é um caso de sucesso o ano inteiro porque tem produtos de referência próprios: os croissants e os gelados de fabrico próprio, assim como toda uma outra pastelaria variada que é possível encontrar todos os dias, fresca e com uma grande variedade.

Faz falta na vila, no comércio, mais sítios que através do que vendem deixem a sua marca nas consumidores e ganhem assim o estatuto de “únicos” nisto ou naquilo. Isso constrói hábito, tanto aos habitantes como aos turistas do ano inteiro. Isso cria rotina. Isso é um ponto de referência. Se juntarmos A + B, sendo A o produto de toda a beleza natural que a vila tem mais B, que é a unicidade que mencionei, temos a fórmula perfeita para retocarmos alguns problemas comerciais da “nossa” Princesa do Alentejo.

Em jeito de conclusão aproveito para referenciar a importância de “lavar a cara” do comércio local pois vivemos tempos de um terrível austeridade e muitos negócios estão a atravessar um mau momento, que directamente, tanto leva a despedimentos a fim de cortar despesas ou mesmo o encerramento do mesmo. Falta espírito empreendedor! Faltam apoios! Faltam investidores!

Marco Matos

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