Festival Grande Orquestra de Verão: Gestão à Portuguesa

Durante o mês de Junho foi anunciado neste espaço o evento Festival Grande Orquestra de Verão, que deveria passar por Vila Nova de Milfontes no próximo Domingo,  dia 19 de Agosto. É possível relembrar o referido artigo aqui. O paradigma deste evento seria democratizar o acesso à música sinfónica, realizando 21 concertos em 16 distritos do país.

O promotor desta ideia não poderia ser mais idóneo, o próprio Governo de Portugal, na pessoa do Secretário de Estado da Cultura. Assim, não é de estranhar que o Festival Grande Orquestra de Verão tenha sido anunciado com pompa e circunstância nos diferentes meios de comunicação social. Para tornar a informação mais abrangente, foi até lançado um site dedicado ao festival.

Até aqui tudo bem… Levar a música sinfónica a pontos do país a que nunca chega? Excelente ideia! Promover a cultura de forma acessível ou gratuita? Excelente ideia!

Infelizmente, dos órgãos políticos nacionais não se pode esperar que uma boa ideia corresponda a uma boa execução. Uma vez que estamos perto da data do suposto concerto em Vila Nova de Milfontes, resolvi tentar descobrir mais sobre este evento. Para isso, fui ver como haviam corrido os concertos anteriores. Para meu espanto, só consegui encontrar referência ao concerto inaugural, realizado no Palácio Nacional da Ajuda, perante uma plateia de ilustres.

Plateia da Grande Orquestra de Verão

Os restantes concertos parecem ter ficado em banho-maria. O site referente ao festival continua em funcionamento, ainda que o programa completo do evento tenha desaparecido. O concerto de Vila Nova de Milfontes continua no site (pode ser visualizado aqui), embora já tinha sido cancelado. De realçar, que só consegui a confirmação do que já suspeitava – o cancelamento do concerto – após ter contactado a C.M. Odemira, que respondeu prontamente ao pedido de informação. No site da Grande Orquestra, nem uma palavra sobre o assunto.

A imagem acima, espelha a “democratização” conseguida pelo governo português nesta iniciativa. A música sinfónica que deveria ter soado por todo o país, entoou apenas no Palácio da Ajuda. Em Vila Nova de Milfontes, teremos que esperar. Pode ser que no próximo ano, os ilustres promotores desta iniciativa resolvam partilhar um pouco da sua felicidade com todos nós.

André Alface

Fotografia: Rodrigo Gatinho